Para o I Simpósio Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável da ESCAS realizado em setembro (19) três temas reforçaram a amplitude da conservação da biodiversidade: Comunicação e Educação; Restauração Florestal e Mudanças Climáticas.
Comunicação e Educação

Cristiane Prizibiski, jornalista e coordenadora de Comunicação no Observatório do Clima, sintetizou a importância do reconhecimento da Comunicação em projetos socioambientais. “A Comunicação não é uma etapa do processo, ela é o processo”. Cristiane contou sobre o desenvolvimento de Comunicação para Conservação – um manual de boas práticas para projetos de conservação ambiental no Brasil, como um dos produtos de seu Mestrado.
Andrea Pupo, coordenadora do projeto Escolas Climáticas, realizado na região do Sistema Cantareira, reforçou o potencial das ações de educação ambiental como estratégia para formar cidadãos comprometidos com os desafios locais. Os resultados do Mestrado de Andrea reforçam o potencial de alunos que tiveram vivências na natureza mesmo cinco anos após as atividades. “No grupo 1 dos alunos que participaram de ações de educação ambienta, cerca de 40% dos jovens lembravam de notícias relacionadas ao meio ambiente no último ano, enquanto no grupo 2 – que não participou de qualquer atividade de educação ambiental – menos de 10%.
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Restauração Ecológica

Letícia Duarte, pesquisadora no Projeto Semeando Água, contou sobre a identificação das áreas prioritárias para concentrar investimentos de restauração e assim gerar o maior benefício socioambiental possível. “Olhei para uma das cinco sub-bacias do Sistema Cantareira, a do rio Atibainha, em Nazaré Paulista e por meio de modelagem hidrológica, simulei o ciclo hidrológico na bacia para identificar as áreas mais importantes para produção de água quanto aquelas para o controle de sedimentos”. Após o Mestrado, Letícia analisou o impacto de diferentes soluções baseadas na natureza para aumentar a resiliência do sistema, diante de três cenários. A restauração florestal e os sistemas produtivos sustentáveis despontaram como as melhores estratégias para conservação da água na região do reservatório Atibainha.
Rafael Lotfi, coordenador da Consultoria Jurídica Ambiental e de Projetos de Sustentabilidade da Pacionatto, Chelli & Lotfi Advogados, trouxe os 26 anos do projeto Corredores de Vida, sob a perspectiva de Clima, Comunidade e Biodiversidade. A adequação à legislação ambiental como caminho para regularização de grandes propriedades possibilitou avançar na restauração florestal, por meio de corredores ecológicos na região. Desde 2016, o projeto passou a integrar as áreas do Programa Nascentes, do Estado de São Paulo. “Com essa política pública, foi possível ampliar a média de 100 para 500 hectares/ano. Em 2021, o projeto teve outro ganho de escala por meio dos créditos de carbono, em uma parceria com a Biofílica.”
“Dizer que é uma honra estar aqui é redundante. Já fiz outros mestrados, mas com esse eu tive conexão e até hoje eu tenho. Quando eu falava que queria estudar em um lugar que estivesse na fronteira do conhecimento aqui eu encontrei isso e foi muito especial”, Mônica Picâvea, diretora do Instituto Artesano, egresssa ESCAS.
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Mudanças Climáticas

Como as cidades brasileiras estão enfrentando a crise climática foi o tema que norteou a pesquisa de Mônica Picâvea, diretora do Instituto Artesano, “No Brasil, 87% da população brasileira já vive nas cidades. No mundo, esse índice deve ser atingido apenas em 2050. Apenas em 2024, o Brasil registrou 4.699 desastres climáticas… Um dado que preocupa é que a gente ainda planeja cidades para um mundo que não existe mais”.
No estudo, Mônica identificou que apenas 14 municípios, além do Distrito Federal, tinham Plano de Clima até janeiro de 2025. “Em meu trabalho, olhei se os Planos de Ação Climática já desenvolvidos pelas cidades brasileiras têm a capacidade necessária para se tornar ação real”. Mônica identificou entre os principais gargalos: 93% dos planos não detalham financiamento, apenas 4 em 10 têm engajamento comunitário bem estruturado e 69% não possuem mecanismos claros de transparência de resultados. Com base nesse cenário, elegeu quatro prioridades: fortalecer a governança, estruturar financiamento, ampliar participação e justiça climática, investir em dados de inovação.
Pedro Barral, consultor do Occatu, compartilhou como vem atuando no mercado e sob a ampliação de perspectiva e um novo momento profissional. “Até então eu trabalhava de maneira muito responsiva, mas passei a olhar para além das demandas geradas… Sigo como consultor quantificando emissões definindo metas, descarbonizando e propondo alguns projetos de compensação, mas entendi que precisava avançar mais e entender: há quais riscos estou exposto, qual é minha vulnerabilidade e o que faço a respeito? A gente entende que essas perguntas podem ser feitas no âmbito das cidades”.
Pedro trabalhou no Plano de Ação Climática de Florianópolis/SC em 2024 e está neste momento na liderança do Plano de Extrema/MG junto com a Secretaria de Meio Ambiente. “Também passamos a trabalhar sobre a exposição a mudanças climáticas e medidas adaptativas em concessão de rodovias e empresas de varejo/logística. Fizemos análise de risco de portfólio de investimento pensando em vulnerabilidade e resposta. No momento, estamos desenvolvendo uma plataforma para apoiar municípios na escala de decisão sobre adaptação”.
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