Mico-Leão-Preto

Mico-Leão-Preto: a história de sucesso na conservação de uma espécie ameaçada.

Desdobramento do trabalho de conclusão da egressa Gabriela Cabral Rezende no Mestrado Profissional da ESCAS, o livro conta a história de como o mico-leão-preto, o único primata endêmico do estado de São Paulo, foi salvo da extinção e se tornou um símbolo de sucesso em conservação de espécies ameaçadas no Brasil e no mundo.

O livro traz um levantamento enriquecido por entrevistas com personalidades brasileiras e estrangeiras que ativamente contribuíram para salvar a espécie da extinção. Afinal, quais estratégias que devem ser empregadas por um programa de conservação? Como saber se o programa de conservação foi bem sucedido?

Com o programa de conservação, o mico-leão-preto migrou da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) de criticamente em perigo para em perigo, em 2008, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido.

Desde 2011, Gabriela integra a equipe do programa do primatólogo Claudio Padua, cofundador do IPÊ e o primeiro brasileiro a ganhar o Whitley Award, em 1999. No extremo oeste do estado de São Paulo, a base principal do projeto é a região do Pontal do Paranapanema, que possui o maior remanescente florestal da Mata Atlântica do Interior – um dos últimos hotspots de biodiversidade global.

Em 2020, Gabriela esteve entre os seis pesquisadores que tiveram o trabalho na área de conservação ambiental reconhecido pelo Whitley Award 2020.

“A inspiração em pesquisadores pioneiros é a energia que me faz avançar. Enquanto conservacionista, meu sonho é salvar espécies ameaçadas de extinção. Fazer a diferença para uma espécie e seu habitat é o caminho que encontrei para deixar um planeta melhor para as gerações futuras e inspirá-las a se envolver com a conservação, seja profissionalmente ou nas ações do dia-a-dia. Com o prêmio, espero também motivar outras cientistas mulheres a atuar pela conservação ambiental”, disse Gabriela à frente do Programa de Conservação do Mico-leão-preto.

Confira a entrevista de Gabriela Rezende na véspera do lançamento do livro, em 2014:

 

Houve influência da metodologia de imersão dos cursos ESCAS/IPÊ em seu trabalho?

Estar imersa no IPÊ durante 1 ano, acompanhando a rotina e a dinâmica dos pesquisadores, além de influenciar na qualidade do meu produto final, trouxe inúmeros benefícios à minha formação profissional, a partir das oportunidades que apareciam e da possibilidade de networking.

Você escolheu um tema (Conservação do Mico-Leão-Preto) que faz parte de um dos projetos pioneiros do IPÊ. Qual foi o motivo?

Ao longo do primeiro ano do mestrado, quando estávamos pensando a respeito do assunto para o produto final, eu dizia que gostaria de trabalhar com unidades de conservação. Mas em uma conversa, fui instruída a desenvolver um tema que já estivesse em minha gama de domínio, por vários motivos, dentre eles, o tempo que tínhamos para construção da tese. Sendo assim, isso me fez mudar de ideia e escolher trabalhar com conservação de espécies ameaçadas, pois era um assunto que já fazia parte da minha formação. Daí para decidir sobre o mico-leão-preto, foi mais um passo.

Então, no seu caso, a experiência e a teoria “andaram juntas”?

Com certeza vai de encontro! No mestrado, pude aliar, de fato, a prática de campo e a pesquisa e isso foi fundamental para o processo criativo do meu livro.

Como você acredita que seu livro pode contribuir com a sociedade, de uma forma geral?

Quanto à contribuição para com a sociedade, comecei a ver como a conservação de espécies pode seguir uma linha única, independente da espécie. E que a história da conservação do mico-leão-preto poderia servir de exemplo para outras pessoas que trabalham ou desejam trabalhar na mesma área.

Publicações

Publicações Relacionadas

Fatos e personagens que fizeram a história das categorias de manejo
A obra busca responder à pergunta “o que motivou o surgimento das categorias de manejo das unidades de conservação que constituem nosso atual sistema de áreas protegidas”? A publicação é assinada por Angela Pellin, pesquisadora do IPÊ e professora da ESCAS, Claudio Padua, reitor da ESCAS, e Fabiana Pureza, mestra pela ESCAS.
Como gerar recursos com a natureza e garantir a sustentabilidade financeira de RPPNs
A publicação de Flavio Ojidos, mestre pela ESCAS, aborda oportunidades de geração de recursos em Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), desmistificando a ideia de que essas áreas estejam limitadas às atividades de pesquisa, turismo e educação ambiental.

Nós armazenamos dados temporariamente para melhorar a sua experiência de navegação e recomendar conteúdo de seu interesse. Ao utilizar nossos serviços, você concorda com tal monitoramento.